sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O consumidor tem poder

Mídia & Marketing

Marcos Labanca/ Gazeta do Povo

Marcos Labanca/ Gazeta do Povo / “A maior tristeza da minha vida é saber que nunca mais comerei um Halls de uva verde. Já tem uns cinco meses que isso está me de­­primindo.” - Natália Casado, publicitária, que usou o Twitter para pedir a volta do sabor uva verde “A maior tristeza da minha vida é saber que nunca mais comerei um Halls de uva verde. Já tem uns cinco meses que isso está me de­­primindo.” - Natália Casado, publicitária, que usou o Twitter para pedir a volta do sabor uva verde
Mobilização

O consumidor tem poder

Redes sociais servem de canal de comunicação entre clientes e empresas, que estão atendendo os pedidos de quem está na outra ponta da relação de consumo

Publicado em 16/09/2011 | Cinthia Scheffer e Fabiula Wurmeister, da sucursal

Foz do Iguaçu e Curitiba - Com os 140 caracteres que ca­­bem em um post do Twitter, a publicitária Natália Casado, que mora em Foz do Iguaçu, Oeste do Paraná, con­­tribuiu para uma pequena, mas efetiva, mobilização pelo re­­torno do sabor uva verde da bala Halls. “A maior tristeza da minha vida é saber que nunca mais comerei um Halls de uva verde. Já tem uns cinco meses que isso está me de­­primindo”, postou. Pois ela já po­­de abandonar a depressão. Era o sinal que a Kraft Foods precisava para recolocar o sa­­bor nos seus planos.

O sabor está voltando às lojas e soma-se a outra série de produtos que estão retornando, atendendo aos apelos dos inter­nau­­tas. O “choro” não chega a ser novidade, mas, com a popularização da in­­ternet e de sites de relacionamento dos mais variados tipos, ele ganhou a atenção das empresas.

Daniel Derevecki/Gazeta do Povo

Daniel Derevecki/Gazeta do Povo / O brinquedo Ferrorama voltou a ser produzido pela Estrela depois que foi criada, no Orkut, a comunidade “Volta Ferrorama”

O brinquedo Ferrorama voltou a ser produzido pela Estrela depois que foi criada, no Orkut, a comunidade “Volta Ferrorama”

Antes do Halls de uva verde, as redes sociais trouxeram de volta clássicos como o achocolatado BrownCow e o brinquedo Ferrora­ma. Na época, a Estrela propôs um desafio ao mentor da comunidade do Orkut “Volta Ferrora­ma”: percorrer os últimos 20 quilômetros do caminho de Santiago de Com­postela com 110 metros de trilho do Ferrorama sem deixar o trenzinho parar. Ele e alguns amigos con­­seguiram. E o brinquedo está de volta.

“Dificilmente, antes do fenômeno das redes sociais, vivenciamos um poder de influência tal do consumidor sobre as companhias e as marcas como vivenciamos hoje. Isso, historicamente, nunca foi padrão. É um susto para as empresas”, diz o diretor da plataforma ProXXIma, do Gru­­po Meio&Men­­sagem, Pyr Mar­­condes.

Para ele, as redes sociais têm hoje uma influência no mundo da comunicação e do marketing muito maior do que muitas empresas desejam. “Trata-se de uma revolução social que impregna a vida de todos nós, cidadãos, e de todos nós, consumidores. Outros casos semelhantes virão. O desafio para as empresas é estar preparadas para essa nova – fascinante e desafiadora – realidade. Uma realidade que não tem mais volta.”

Halls

Assim como a Estrela, a Kraft Foods aproveitou a volta do Halls de uva verde para uma campanha. Os mais “enfáticos” na “luta” pelo retorno do sabor vão ganhar bustos com as suas feições, criados por um grupo de artistas de São Paulo, com a própria bala. Um quarto ho­­me­­na­­geado será escolhido pelos in­­ternautas pela página da marca.

“Como essa foi uma decisão inteiramente fundamentada na solicitação do consumidor, avaliamos que somente trazer o drops de volta não seria suficiente”, diz Vinicius Pan, gerente de marketing da Categoria Balas da Kraft Foods Brasil. “Assim como grandes figuras estão representadas em monumentos mundo afora, esses fãs fizeram história e me­­recem ser eternizados.”

Premiada

Natália Casado, a ganhadora de Foz, diz que a paixão pelo drops tem mais de dez anos. “Não gosto de nenhum outro sabor.” Ela lembra que, quando percebeu que o produto havia saído de linha, se tornou uma especialista em identificar os estabelecimentos que ainda contavam com alguns remanescentes. “De tanto que eu falava, meus amigos compravam e me davam quando encontravam o Halls, ou vinham correndo me dizer onde eu podia achar.”

Quanto ao resultado da campanha, disse que não esperava tanta repercussão. “Foi muito além do que eu imaginava. Valeu a pena também pela homenagem que vamos receber.”


Matéria Veiculada no Jornal Gazeta do Povo dia 16/09/2011

Foto: Marcos Labanca


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